Daniel Benjamim, mais conhecido por Tóy Tóy T-Rex
tem 22 anos e na passada quinta-feira brindou o Musicbox com energia para dar e
vender. Assinou a quinta edição das noites Saucin' organizadas pela Real
Caviar, cujo principal objetivo é promover e apoiar novos artistas. A festa
contou com a live-act de T-Rex e o Dj Set de Mizzy Miles e Dj Kwan. O Impacto
foi até lá e esteve à conversa com o artista que se revela uma das maiores promessas
do panorama do Hip-Hop em Portugal.
1. A
primeira pergunta é sempre pergunta de aquecimento.
Quem é o Tóy Tóy T-Rex e quem
é o Daniel?
O T-Rex e o Daniel não são pessoas muito
diferentes, são a mesma pessoa, ambos malucos por música. O Daniel passa o
tempo a masterizar as coisas que o T-Rex cospe para o microfone e então não há
muita diferença entre os dois. A única diferença é que o Daniel é mais maluco,
mais skater, mais da rua, gosta mais de estar em contacto com a natureza e o
T-Rex é alguém mais fechado, não que seja ante social, mas é muito, muito
focused na música e em tudo o que faz.
2. Quando é que começaste a escrever e como é que
funciona o processo de criação em estúdio?
Comecei a escrever desde muito novo, desde a
primária, porque nessa altura já me armava em "Kalibrado”*. Tinha um amigo
meu que veio de Angola, o Kenny, que conhecia muitas bandas de lá e mostrou-me,
porque como eu nasci cá ainda só tinha a cultura de casa, sembas e etc. Então
ele mostrou-me esse grupo e já estávamos a querer ser os próximos
"Kalibrados", então foi aí que comecei a escrever, mas entretanto
parei.
Em 2010/2011, voltei a escrever, porque descobri
que para teres um estúdio não precisavas daquelas mesas enormes que a gente
costumava ver nos videoclipes da MTV, estás a ver? Só era preciso um microfone,
um programa qualquer (entre aspas), porque depois o processo é uma cena bem
trabalhada. O processo criativo ao longo do tempo envolve prática, muita
prática. O que é que eu faço? Meto o beat a tocar, o beat toca, vejo o que é
que o beat me transmite, se me faz lembrar alguma coisa que eu já vivi.
Eu deixo o
beat falar comigo, acho que esse é o truque para tu escreveres qualquer coisa,
seja o que for, é deixares o beat fazer lembrar-te de alguma situação, depois
vou ao meu bloco de notas quando eu quero dar aquelas dicas dos rappers, a dica
que "kuia" (significa "gostar" na gíria angolana), a
punchline...[Risos] Vou buscar isso ao meu bloco, estou sempre a pensar, então
no dia-a-dia aponto se.

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